Sono

72% dos brasileiros têm alterações no sono: o que a noite ruim faz com a sua mente

Estudo da Fiocruz aponta que 7 em cada 10 brasileiros sofrem com distúrbios do sono. Entenda a relação entre sono e saúde mental e quando a insônia pede tratamento profissional.

16 de set. de 20266 min de leitura

Dormir mal virou regra, não exceção, no Brasil. Estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), de 2023, apontou que 72% dos brasileiros sofrem com algum tipo de alteração do sono — desde dificuldade para adormecer até despertares noturnos e sono sem qualidade.[13]

A insônia crônica, definida quando o problema aparece mais de três vezes por semana por mais de três meses, atinge cerca de 15% da população.[13]

Sono e saúde mental: uma via de dois sentidos

A relação entre sono e mente não é de mão única. Noites mal dormidas aumentam a irritabilidade, prejudicam a concentração e pioram o humor no dia seguinte. E, no sentido inverso, quadros de ansiedade e depressão têm a insônia entre os sintomas mais comuns — a mente acelerada atrapalha o adormecer, e a falta de sono amplifica os sintomas no dia seguinte.

É um ciclo que se alimenta: quanto mais tempo dura, mais difícil separar o que é causa e o que é consequência. Por isso, sono ruim persistente é um sinal que merece atenção, não só uma queixa "de cada dia".

O que fazer primeiro

Algumas mudanças têm evidência sólida e valem como ponto de partida:

  • horários regulares para dormir e acordar, inclusive nos fins de semana;
  • luz fraca e telas de lado na última hora antes de deitar;
  • cafeína apenas até o meio da tarde;
  • quarto escuro, silencioso e fresco;
  • usar a cama só para dormir (trabalho e séries ficam de fora).

Quando a insônia precisa de tratamento

Se mesmo com hábitos melhores o problema persiste por semanas, o caminho com mais evidência não é o remédio: é a terapia. A terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I) é considerada tratamento de primeira linha por diretrizes nacionais e internacionais, com resultados que se mantêm depois do fim do tratamento e sem risco de dependência.[14]

Um psicólogo também pode avaliar se a insônia é sintoma de ansiedade, depressão ou burnout — e tratar a raiz, não só o sintoma. Encontre um psicólogo em Salvador.

Fontes

[13] Jornal da USP. A maioria dos brasileiros sofre com algum distúrbio do sono

[14] PEBMED. Terapia cognitivo-comportamental para insônia – TCC-I: etapas do tratamento